Faz diferença, mas menos do que já fez. A DRAM do SSD guarda o "mapa" que indica onde cada dado está gravado na memória flash. Com esse mapa à mão, o controlador encontra os dados mais rápido, principalmente em acessos aleatórios e com o SSD cheio. Sem DRAM, ele precisa consultar esse mapa na própria memória flash ou em uma pequena parte da RAM do PC.
Para uso comum, como sistema operacional, programas de escritório, estudo e jogos, um SSD NVMe sem DRAM com suporte a HMB costuma ser suficiente e difícil de diferenciar no dia a dia. A DRAM faz mais falta em SSDs SATA, em uso intenso com muitas gravações e em discos grandes que vivem quase cheios.
Para que serve a DRAM no SSD
A memória flash não grava dados sempre no mesmo lugar. O controlador espalha as gravações para distribuir o desgaste e, por isso, mantém uma tabela que traduz o endereço que o Windows pede para o endereço físico real. Essa tabela é chamada de tabela de mapeamento.
Em SSDs com DRAM, a tabela fica nesse chip de memória rápida. Uma referência comum é cerca de 1 GB de DRAM para cada 1 TB de armazenamento, embora isso varie conforme o projeto. Com a tabela inteira disponível, cada leitura ou gravação aleatória é resolvida rapidamente.
Em SSDs sem DRAM (chamados de DRAM-less), o controlador guarda só uma parte da tabela em uma memória interna pequena e busca o resto na própria flash quando precisa. Isso adiciona etapas e aumenta a latência em acessos espalhados pelo disco.
Não confunda DRAM com cache SLC. O cache SLC é uma área da própria memória flash usada para receber gravações em alta velocidade. A DRAM guarda o mapeamento, não os seus arquivos. Um SSD pode ter um, outro ou os dois.
O que é HMB e por que ele ajuda
HMB (Host Memory Buffer) é um recurso do padrão NVMe que permite ao SSD usar uma pequena parte da RAM do computador para guardar a parte mais usada da tabela de mapeamento. A quantidade é pequena, normalmente na faixa de dezenas de MB, e você não percebe essa reserva no uso normal.
Com HMB, um SSD NVMe sem DRAM recupera boa parte do desempenho em acessos aleatórios do dia a dia. Ele não substitui totalmente uma DRAM dedicada, porque a RAM do PC é acessada pelo barramento PCIe, mas reduz a diferença.
O HMB exige suporte do sistema operacional e do driver NVMe; o Windows 10 e o Windows 11 oferecem esse suporte com o driver padrão. SSDs SATA não têm HMB, e por isso um SATA sem DRAM costuma ser a combinação mais fraca.
Comparação dos tipos
| Tipo de SSD | Acesso aleatório | Gravação longa e disco cheio | Indicação |
|---|---|---|---|
| SATA com DRAM | Bom | Estável dentro do limite do SATA | Upgrade de PC antigo ou notebook com SATA |
| SATA sem DRAM | Mais fraco | Pode cair bastante | Uso leve, quando o preço for decisivo |
| NVMe sem DRAM com HMB | Bom para uso geral | Pode cair em cargas longas | Sistema, jogos, estudo e escritório |
| NVMe com DRAM | Muito bom | Mais consistente | Trabalho pesado e quem quer folga |
A tabela mostra a tendência geral. A qualidade do controlador, o tipo de memória flash (TLC ou QLC) e o tamanho do cache SLC mudam muito o resultado. Existem SSDs sem DRAM com controladores modernos que superam modelos antigos com DRAM em várias situações.
Quando um SSD sem DRAM é suficiente
Para a maioria dos PCs, o padrão de uso favorece o SSD sem DRAM:
- Inicialização do Windows e abertura de programas: a maior parte das leituras é de arquivos que o sistema acessa sempre, e o HMB dá conta.
- Jogos: o carregamento depende principalmente de leitura, e a diferença entre SSDs NVMe nesse cenário costuma ser pequena.
- Escritório, navegação e estudo: a carga é leve e em rajadas curtas.
- Segundo SSD para biblioteca de jogos: os arquivos são grandes e lidos em sequência, o que reduz a dependência do mapeamento.
Nesses usos, investir em mais capacidade normalmente traz mais benefício do que escolher entre ter ou não DRAM.
Quando vale pagar por um SSD com DRAM
A DRAM faz diferença perceptível em alguns cenários:
- Edição de vídeo e fotos com arquivos grandes, principalmente quando o SSD é usado como disco de trabalho e cache.
- Máquinas virtuais, bancos de dados e compilação de projetos grandes, que geram muitos acessos aleatórios pequenos.
- Cópias frequentes de dezenas ou centenas de GB, em que o SSD sem DRAM pode perder desempenho depois que o cache acaba.
- SSD quase sempre cheio, situação em que o controlador sem DRAM precisa buscar o mapeamento na flash com mais frequência.
- SSD SATA como disco do sistema, porque não há HMB para compensar.
Se você trabalha com criação de conteúdo ou desenvolvimento e o SSD é sua principal ferramenta, a consistência do modelo com DRAM costuma valer a diferença.
Como saber se o SSD tem DRAM
Nem sempre o fabricante informa de forma clara. Os caminhos mais confiáveis são:
- Ficha técnica oficial: procure termos como "DRAM cache", "DDR4 cache" ou "HMB". A presença de HMB indica que o modelo não tem DRAM.
- Análises técnicas: costumam mostrar a placa do SSD e identificar o controlador e os chips.
- Placa do SSD: em muitos modelos, dá para ver um chip menor ao lado do controlador; esse costuma ser a DRAM. Não remova adesivos de garantia para conferir.
Um cuidado importante: alguns fabricantes mudam controlador ou memória de um modelo ao longo do tempo sem trocar o nome comercial. Se a DRAM for critério de compra, confira a versão exata e a data da análise que você está usando como referência.
Erros comuns na escolha
- Achar que o cache SLC é a mesma coisa que DRAM: são funções diferentes.
- Comparar só a velocidade sequencial da caixa: os números máximos de leitura e gravação não mostram o comportamento em acessos aleatórios nem depois que o cache enche.
- Comprar um SATA sem DRAM para o sistema de um PC de trabalho: é a combinação que mais sofre em uso intenso.
- Pagar caro por DRAM e escolher capacidade apertada: um SSD cheio perde desempenho de qualquer forma. Deixe espaço livre.
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Perguntas frequentes
SSD sem DRAM dura menos?
Não necessariamente. A durabilidade depende principalmente do tipo de memória flash e do TBW informado pelo fabricante, embora a DRAM ajude o controlador a organizar melhor as gravações.
O HMB deixa meu PC com menos memória RAM?
Em tese sim, mas a reserva é pequena, na faixa de dezenas de MB. Na prática, não faz diferença no uso do PC.
SSD sem DRAM serve para PS5 ou notebook?
Para notebook, a mesma lógica do PC vale: NVMe com HMB atende uso geral. Para consoles, siga as exigências do fabricante do console, que costumam focar em velocidade e dissipação.
Vale trocar um SSD sem DRAM que já tenho?
Só se você notar quedas de desempenho no seu trabalho, como travadas em cópias grandes ou lentidão com o disco cheio. Para uso comum, a troca dificilmente compensa.
Todo SSD NVMe barato é sem DRAM?
A maioria dos modelos de entrada é, mas não todos. Confira a ficha técnica de cada modelo.
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